O Dharma ou a Via do Buda, conhecido no Ocidente como Budismo, consiste nos ensinamentos e métodos transmitidos pelo Buda Shakyamuni (566-486 A.C.).
A base do ensinamento do Buda Shakyamuni consiste na exposição das Quatro Nobres Verdades, segundo uma perspectiva terapêutica: 1 o diagnóstico é o reconhecimento de que todas as experiências condicionadas ao longo da vida são dukkha, termo que implica as noções de sofrimento, insatisfação, mal-estar, frustração e imperfeição; 2 a etiologia consiste em indicar como causas de dukkha a ignorância, no sentido do desconhecimento da natureza última da mente e das coisas, que leva à percepção de uma separação e dualidade entre o eu e o mundo e daí ao egocentrismo do desejo possessivo e da aversão; 3 o remédio consiste no nirvana ou cessação do sofrimento por abolição das suas causas; 4 a aplicação do remédio é a via que assume três aspectos: ética (não prejudicar nenhum ser vivo e fazer tudo para o bem de todos), meditação (libertar a mente de todos os conceitos e emoções negativas que a agitam, desenvolvendo uma atenção concentrada, calma e pacífica) e sabedoria (o conhecimento directo da natureza pura de todas as coisas e o viver em conformidade com isso, pondo a vida ao serviço do bem e da libertação de todos os seres).
Assumindo aspectos filosóficos e religiosos de acordo com as necessidades dos seres e das culturas onde se manifesta, o chamado Budismo é fundamentalmente uma via para curar e libertar a mente do facto de ser causadora de sofrimento para si e para os outros.
Paulo Borges, Presidente da União Budista Portuguesa |
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Escolas budistas - porquê? |
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Muitas das pessoas que começam a interessar-se pelo Budismo vão frequentemente vê-lo como um todo e ficam perplexas quando percebem que, se querem começar a praticar “seriamente” a via do Buda, mais tarde ou mais cedo vão ter de escolher uma escola. Embora se declare frequentemente que há uma base comum a todas as escolas e tradições budistas, na verdade, as diferenças a nível de uma prática podem ser consideráveis.
As diferentes escolas budistas podem ser encaradas como a expressão da variedade de meios que o Buda encontrou para chegar aos seres. Diz-se que o Buda deu 84 000 ensinamentos, outros tantos meios de ajudar os seres a encontrar o seu caminho. Meios hábeis (upaya) é uma expressão muito frequente na literatura budista e refere-se a métodos e práticas particulares usados para ajudar os praticantes a libertarem-se da ignorância. Estes diferentes métodos correspondem aos diferentes temperamentos, backgrounds e capacidades de todos nós. Como diz Joseph Goldstein, “Alguns podem achar a linguagem da vacuidade estéril como um deserto. Outros podem encontrar aí o coração da libertação. Outros ainda podem achar que o caminho da devoção os liberta do Ego, enquanto para outros a devoção pode funcionar como uma nuvem de auto-ilusão.”
Cada um de nós precisa de honestidade e introspecção e eventualmente da orientação de um professor para encontrar o seu “meio hábil”. Ou mais simplesmente, como aconselhava Chogyam Trunpa… confiar no acaso. |
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